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Livro sobre Enedina Marques é finalista no Prêmio Jabuti 2022




Contar a história das mulheres que fizeram a diferença em diversas áreas de conhecimento é um longo trabalho de resgate e ressignificação, principalmente em uma época que muito se fala de empoderamento. Pensando nisso, a professora aposentada Lindamir Casagrande iniciou a série de livros Meninas, moças e mulheres que inspiram, divulgando as histórias de mulheres que, de alguma forma, marcaram as ciências, as artes e a sociedade.


Uma delas foi a engenheira Enedina Marques, primeira engenheira preta do país. A história de Enedina, permeada por desafios e resiliência, tornou-se livro voltado para o público infanto-juvenil, e Enedina Marques – Mulher negra pioneira na engenharia brasileira, publicado pela Editora InVerso (2021), agora é finalista no Prêmio Jabuti, a maior premiação literária do país.


Mulher preta, filha de escravos libertos e analfabetos, a engenheira rompeu inúmeras barreiras ainda no início do século XX. “Qual era o caminho a se imaginar para uma mulher preta e pobre na década 40? Seguir a profissão da mãe, que era empregada doméstica e lavadeira”, conta Lindamir. “Era isso o que se esperava. Mas Enedina não quis isso. Ela queria mais e foi além: tornou-se professora, o que por si só já era um grande feito, mas ela continuou: queria ser engenheira”, explica.


Tal ousadia não seria possível sem sua força e resiliência, como detalha a autora. “O curso de engenharia era destinado a homens brancos e ricos. Então, para uma mulher, preta e pobre, estar nesse meio era transgredir em diversos aspectos sociais”, fala Lindamir, que ainda destaca o preconceito e a solidão enfrentada pela engenheira.


Mesmo com todas as dificuldades, Enedina Marques conseguiu sua formação em 1945, tornando-se a sexta mulher engenheira do país e a primeira engenheira preta do Brasil. “Consegue imaginar o que deveria ser uma mulher preta em uma turma de engenheiros nos anos 40?”, indaga Casagrande.



Autora Lindamir Salete Casagrande


E é justamente esse resgate histórico o objetivo da obra ao retratar essa mulher guerreira, destemida, forte e teimosa. E, para Lindamir, teimosia não é demérito algum. “Temos que teimar, sim, porque se não formos teimosas, não conseguimos fazer nada. E a engenheira foi tão teimosa que ela conseguiu inscrever seu nome na história do Paraná e do Brasil”, defende a escritora.


O livro ainda conta com uma participação muito importante: foi ilustrado por uma artista preta, a ilustradora baiana Lhaiza Morena. “Quando recebi o convite da Editora InVerso para ilustrar a história da Enedina Marques, aceitei de imediato, pois seria uma honra ilustrar a história dela. Tudo que ela enfrentou para chegar aonde ela chegou é um grande exemplo de dedicação e força de vontade, é uma inspiração para mim”, celebra a artista.


Lhaiza, que hoje é roteirista na Maurício de Sousa Produções, ainda ressalta a importância da representatividade, visto que os obstáculos enquanto mulher preta, continuam os mesmos. “Passamos hoje para ter reconhecimento e ter o nosso espaço, mas hoje em dia a nossa batalha é coletiva, o que nos faz mais fortes”,


Sobre a premiação, Lindamir não esconde a felicidade: “Para mim, que sou professora de matemática, ter um livro meu finalista no Jabuti me deixa muito contente por eu, também, ter rompido com algumas barreiras, como o estereótipo de que professor de matemática não sabe escrever. Com estudo e dedicação, é possível desenvolver outras habilidades, como a escrita”.


A professora, que já lançou cinco títulos da série, sendo o último um belíssimo livro sobre a matemática Sophie Germain, salienta a necessidade de visibilidade para mulheres como Enedina. “Ser indicada ao prêmio já é uma forma de aumentar a visibilidade da engenheira. E ela merece essa visibilidade e todo o nosso respeito. Foi uma mulher fantástica que todo o país precisa conhecer e eu quero que o livro chegue em todas as escolas para que mais meninas, e, principalmente, meninas pretas, se inspirem e enxerguem que a engenharia também é possível para elas”, finaliza.


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